Mudanças na estética do jornal

Mudanças no Formato Estético

 

 

 

“Os homens criam as ferramentas; as ferramentas recriam os homens”. (MCLUHAN, 1970 apud YAZBECK, 2002).

Com o surgimento de novas tecnologias, as pessoas sentem a necessidade de aderirem às novas mudanças, assim tornando suas vidas mais fáceis e mais práticas. E é isso o que ocorre com o jornalismo impresso, para tornar o jornal mais agradável, os jornais vêm mudando a sua estética e aderindo as novas tecnologias para que o leitor se sinta bem com o jornal. E essas mudanças não vêm de hoje.

Desde o começo do século XV, os jornais vêm apresentando grandes mudanças em seu formato estético, e vêm sofrendo vários processos de modernização em seus modos de impressão e diagramação. Compreender essas mudanças gráficas e visuais é compreender a história do jornal impresso (FRANÇA, 2008).

De acordo com Luciano Guimarães, a razão dessas transformações no design jornalístico se deve principalmente, a presença de novas tecnologias que geram uma remodelagem da continuidade.

“A mídia precisa ser vista como um sistema, um sistema em contínua mudança…”. (BRIGGS e BURKE, 2004 apud GUIMARÃES, 2006).

E é exatamente isso o que ocorreu e continua ocorrendo com os jornais impressos, eles estão em contínua mudança, aderindo às novas tecnologias e satisfazendo seus leitores tornando os jornais mais organizados.

Antigamente a produção dos jornais, se dava pela composição de chumbo até mais ou menos 1971, onde se adotou o sistema de fotocomposição[1]. A fotocomposição é a composição tipográfica feita por projeção de caracteres sobre papel, ou película de filme fotossensível. Eduardo Nunes Freire sobre a tipografia ressalta:

Os recursos gráficos na fase tipográfica eram escassos e o texto verbal predomi­nava. O texto jornalístico de então trafegava entre o informativo e o literário […] Daí, a existência de textos longos e às vezes impenetráveis […] O jornalismo desta época é o da opinião, do debate, da peleja, das discussões temáticas. (FREIRE, 2009, p 296).

 

Afirma também que:

Os recursos visuais no início do período tipográfico eram poucos, e restringiam-se a filetes, variações na tipografia (fontes), algumas ilustrações e, posteriormente, fotografias de baixa qualidade. O jornalista pouco interferia no processo de diagramação, no desenho das páginas ou na escolha da imagem que ia ilustrar o texto. (FREIRE, 2009, p 297).

 

Vale ressaltar, segundo o autor, que a cor quase não era usada nesse período, somente para destacar títulos ou anúncios publicitários.

Em seguida vem a fase litográfica, que se trata da impressão da litografia tradicional: matriz plana, separação físico-química entre água e tinta. Aqui no Brasil situa-se entre a década de 1960, e finais de 1980, segundo o autor Eduardo Freire.

Ele discorre também que:

A transferência da montagem da página da oficina gráfica para o departamento de arte aproximou um pouco mais o jornalista do tratamento final de sua produção […] os editores eram também os responsáveis pelo desenho das páginas, fator que contribuiu para a criação de páginas diferenciadas que integravam melhor o material verbal e o não-verbal. A partir daí, os princípios do design entram em evidência. Alinhamento, repetição, proximidade, contraste, balanço, passam a ser mais levados em consideração o que redunda em um jornal mais organizado, limpo e arejado, com hierarquia mais nítida e com melhor visibilidade. (FREIRE, 2009, p 300).

 

A cor nessa fase então, começa a tomar força, mas somente como ilustração e na estética, restringindo-se a capa, contracapa, fotografias e quadros (Freire, 2009).

Vemos então que os recursos visuais são muito importantes para um jornal, pois uma imagem pode interagir mais com o leitor, e atraí-lo para a mensagem.

No velho jornal importante era o texto, somente o texto […] utilizavam fotografias desde que não tomassem o espaço do texto […] no novo jornal o que importa é comunicar bem ao leitor o que se quer comunicar. Se um gráfico, em determinados casos, comunica melhor, publique-se o gráfico, subtraia-se o texto. (NOBLAT, 2006, p 152).

 

“O recurso visual do jornalismo impresso moderno deve ser entendido como uma possibilidade complementar e suplementar à informação textual”. (MANUAL DA REDAÇÃO, 2006 apud FRANÇA, 2008).

[…] o trabalho de diagramação que antigamente era visto como artesanal, na atualidade se transferiu para o campo de especialização […] o trabalho do planejamento visual é feito com vistas à disposição da matéria, com intuito de um bom aproveitamento do texto e seus destaques. A forma estética deve agregar valores do conteúdo ao visual do jornal. (COLLARO, 2006 apud FRANÇA, 2008).

 

Posteriormente, vem a chamada fase digital, “vultosos investimentos em tecnologia de impressão foram feitos nas últimas três décadas. Hoje no mercado, encontra-se impressoras com grande formato de impressão”. (ALZIRA, 2002 apud FRANÇA, 2008).

Observa-se então que todas essas mudanças na estética do jornal, toda essa quebra de paradigmas que adere a novas tecnologias, resultam em um jornal mais prático, rápido e organizado que interessa ao leitor.

Assim chegamos à conclusão de que todas essas alterações possibilitaram a produção mais rápida, e um jornal mais atraente, com mais imagens e não com apenas textos.

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