1ª Parte

Biografia de João do Rio

por Alissa Paschen

Aos dezoito anos o primeiro texto de Paulo Barreto foi publicado no jornal A Tribuna, era uma critica a peça Casa de Boneca, assinada com seu próprio nome. No inicio do século vinte passou por vários jornais, mas foi na Gazeta de Noticias que nasceu o João do Rio, seu pseudônimo mais conhecido que assinou o artigo “O Brasil Lê” sobre as preferências de leitura dos cariocas.(Wikipédia)

Segundo o livro “A Vida Vertiginosa de João do Rio”, em 1907 Paulo Barreto quis explorar o teatro. Sua primeira peça chamada Chic-Chic estreou no dia 29 de dezembro,mas não teve uma boa crítica. Somente em 22 de Outubro de 1912 com A Bela Madame Vargas peça que deveria reproduzir um escândalo ocorrido na Tijuca, é que João do Rio veio a ter êxito no teatro.

Alguns anos depois em 1917 fundou e dirigiu a SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) durante seus primeiros anos. Nesse período a associação teve que se consolidar, reunir membros e confrontar seus opositores, geralmente empresários[1].

O jornalista reuniu uma serie de seus textos que foram transformadas em coletâneas, as mais famosas foram “As Religiões do Rio”, que possui duas curiosidades, a primeira é que na rua onde ele morava se encontrava um dos lugares de culto africano tratados em sua obra e a segunda é que no livro ele não tratou da religião católica e nunca explicou seus motivos para tal exclusão (MAGALHÃES JÚNIOR,1978).

A segunda coletânea mais famosa foi “A alma encantadora das ruas”, que ele inicia afirmando “Eu amo a rua” o que segundo a Drª Luciana Calado “(…) denuncia a própria essência da atividade de cronista, a flânerie, ou a arte de perambular pelas ruas em busca de flagrantes do cotidiano”.

 Durante uma de suas viagens a Europa Paulo Barreto foi a Portugal e quando voltou estava tão maravilhado pelo país, que por sugestão do dono da editora Garnier decidiu juntar varias canções portuguesas em um livro chamado Fados, canções e danças de Portugal, desde a publicação dessa coletânea ele passou a ser muito querido pelos portugueses que viviam no Brasil.[2]

Quando o governo de Epitácio Pessoa mandou cumprir uma antiga lei de nacionalização da pesca, em que um terço da tripulação em alto mar deveria ser brasileira, João do Rio achou o momento oportuno para lançar o jornal A Pátria defendendo os pescadores lusos. (MAGALHÃES JÚNIOR, 1978)

 Em 20 de outubro de 1920 quando foi publicado no A Pátria que os portugueses renunciavam ao exercício da pesca, o capitão de fragata Frederico Villar, diretor da inspetoria de pesca se irritou e desembarcou com mais cinco subordinados de seu cruzado.

Os oficiais procuraram João do Rio na redação do jornal, mas não o encontraram, então foram até um de seus restaurantes favoritos, o Brahma, chegando lá encontraram o escritor almoçando e sem nenhuma justificativa “uma chuva de pancadas desabou sobre ele”[3]. João do Rio sofreu vários ferimentos superficiais na cabeça e no dia seguinte o caso de agressão já estava em todos os jornais.

Muitos intelectuais da época inclusive Monteiro Lobato se mostraram solidários com o jornalista após o ocorrido (MAGALHÃES JÚNIOR,1978). Paulo Barreto passou o fim de sua vida criticando fortemente o governo em seu jornal e morreu sozinho aos 39 anos de enfarte fulminante dentro de um taxi quando voltava pra casa.

Onze anos antes ele havia se tornado um imortal, sendo eleito para a cadeira numero 26 da Academia Brasileira de Letras, mas morreu descontente com a instituição. Primeiro pela eleição de Humberto de Campos a quem Paulo Barreto havia negado o emprego e aconselhado procurar outra carreira anos antes e por isso passou a criticá-lo e segundo pela atitude nacionalista de Afonso Celso que criticava os pescadores portugueses no semanário Gil Blás[4].

João do Rio foi enterrado em uma tumba de mármore italiano no cemitério de São João Batista. No mesmo bairro uma pequena rua foi batizada com seu nome e segundo Graciliano Ramos “a homenagem que lhe tributaram é modesta: ofereceram-lhe uma rua curta”[5]

A Póvoa de Varzim segundo Magalhães, também deu o nome de Paulo Barreto a uma rua no centro da cidade junto a Câmara Municipal e a mãe dele deixou seus bens para o centro Luso-Brasileiro Paulo Barreto, hoje esquecido.

Link para a segunda parte Analise:

https://caminhosdojornalismo.wordpress.com/joao-do-rio-2/


 

[1] MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo. A Vida Vertiginosa de João do Rio Editora Civilização Brasileira Exemplar 4059, 1978

 

[2] MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo. A Vida Vertiginosa de João do Rio Editora Civilização Brasileira Exemplar 4059, 1978.

[3] MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo. A Vida Vertiginosa de João do Rio, Editora Civilização Brasileira Exemplar 4059, 1978. Capitulo 37 pagina 363.

[4] MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo. A Vida Vertiginosa de João do Rio Editora Civilização Brasileira Exemplar 4059, 1978.

[5]GOMES, Renato Cordeiro. “João do Rio: vielas do vício, ruas da graças”. Rio de Janeiro: Relume-Dumará: Prefeitura, 1996 pagina 11. Série Perfis do Rio, n. 13.

 

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