Do Correio Braziliense ao Jornal do Brasil

1900-1910 No início do século os  jornais eram pequenos e elitistas e algumas vezes defensores de movimentos  políticos, inspirados no progresso da Europa.

“O primeiro jornal de brasileiros  era o Correio Braziliense e começou a ser publicado na Inglaterra em junho de  1808 pelo exilado Hippolyto José da Costa. Defendendo a Independência do  Brasil, era aqui vendido clandestinamente. Ainda no ano de 1808, o regente  português Dom João criou o primeiro jornal impresso no Brasil: a Gazeta do Rio
de Janeiro, que circulou até 1822. Nessa década, surgiram grandes jornais, como
o Diário do Rio de Janeiro (1821) e o Diário de Pernambuco (1825), que
sobreviveu ao Império, atravessando os séculos XIX e XX”.

No começo os jornais não tinham  nem manchetes nem imagens, eram só várias colunas com texto. Os pequenos  jornais antigos foram se transformando em grandes empresas lucrativas que  passaram a ter anúncios e que atraíam seus leitores com caricaturas e
manchetes, que eram então uma novidade. No Rio, o Jornal do Brasil, que foi
fundado em 1891 e era um dos maiores jornais do país, possuía em sua equipe
famosos ilustradores e caricaturistas, como Raul Pederneiras, Julião Machado e
Arthur Lucas e a partir de 1900 começou a receber aparelhos para publicar
fotografias.

1930-1945 Quando Getúlio cria a  DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) para regular a imprensa, passam a  existir palavras proibidas, como “União Soviética” (sendo liberada no fim da Segunda Guerra Mundial, com queda do terceiro Reich, a palavra “Rússia”), o que  dificultava a escrita das notícias ou muitas vezes dava outro sentido à
mensagem, como no exemplo dado, já que Rússia e União Soviética não são
sinônimos.

Nesta época funcionou o jornal “A  Manhã” que funcionou entre 1926 e 1936 e era um semanário que se diferenciava  dos outros jornais da época pois fazia a caricatura da imprensa brasileira.
Totalmente escrito por Aparício Torelly (seu “diretor-proprietário”) que se
autodenominava “Barão de Itararé”. Este jornal apresentava diversas inovações,
como um encarte especial na edição normal que era escrito da maneira com que os
imigrantes portugueses, italianos e alemães falarem português.

A partir da implantação do Estado  Novo em 1937 e da criação da DIP os gêneros humorísticos, como a caricatura,  entraram em decadência. Como se achava impossibilitada de fazer críticas à  política do país, a caricatura teve de buscar novos caminhos para se expressar  e os encontrou no combate ao nazi-fascismo. Desse momento destaca-se Belmonte  (Benedito Carneiro Bastos Barreto), autor de diversos álbuns de desenho e  ilustrações para livros infantis de Monteiro Lobato, se tornou famoso por
transmitir o “sentimento popular” contra o nazi- fascismo através do personagem
“Juca Pato” criado em 1925, publicado pela Folha da Manhã (SP).

1945-1960 Em 1943, o jornalista  Pompeu de Souza retornou dos Estados Unidos e reassumiu suas funções de editor  internacional no Diário Carioca. A partir de então começou a modificar o estilo  redacional do jornal, como em 1945 que ao noticiar a substituição do Gen. Dutra  no ministério da guerra publicou a manchete “Sai Dutra, entra Góis”, que acordo  com os padrões da época seria algo como “O General Eurico Gaspar Dutra deixa o  ministério da guerra, sendo substituído pelo General Pedro Aurélio de Góis
Monteiro”. A tentativa de modernizar a linguagem jornalística era consequência
direta da influência norte- americana que começou a superar a da França, que
predominava naquele momento. Pompeu de Souza procurou eliminar das notícias o
“nariz de cera”, que foi substituído pelo lead, onde as informações essenciais
são condensadas no primeiro parágrafo. Na década de 50, Pompeu de Souza
tornou-se diretor do Jornal do Brasil, onde, auxiliado por Jânio de Freitas,
Reinaldo Jardim e Amílcar de Castro, empreendeu uma reforma. Uma das
características do jornal que foi mudada eram os anúncios classificados, que
ocupavam quase toda a sua primeira página, sobrando um espaço mínimo para as
notícias. A tática que foi empregada para a remodelação foi ocupar
paulatinamente, a primeira página com “chamadas” e leads das matérias. A partir
dessa reforma, os títulos do JB ficaram mais vivos, mais vibrantes e assim essa
característica foi imitada por todos os jornais do período.

Fonte: Nosso Século, São  Paulo. Abril Cultural, 1980, vol I, p.216 a 219

Nosso Século, São Paulo.  Abril Cultural, 1980, vol III, p. 193 a 197
p. 276 a 279

Nosso Século, São Paulo.  Abril Cultural, 1980, vol IV, p. 248 a 251

Grupo 7 – Jornalismo Matutino

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