Cásper Líbero

por Adam G. Minhoto
 
 
 
 
 

Cásper Líbero foi o responsável pela criação da primeira Faculdade de Comunicação Social da América Latina e da Fundação Cásper Líbero, um complexo de comunicações que reúne, hoje, a TV Gazeta, Rádio Gazeta AM/FM, os jornais A Gazeta e A Gazeta Esportiva.

Todo seu trajeto de investimento e valorização na educação e formação jornalística, não só marcou o século XX, como imortalizou seu nome no pioneirismo na categoria dos empresários-jornalístas.

Estes frutos nasceram do testamento do próprio jornalista paulistano, vítima de um cidente aéreo no Rio de Janeiro, em 1943.

“Eu, Cásper Líbero, quero e disponho que todos os meus bens remanescentes sejam reunidos e aplicados como patrimônio da Fundação que hora crio e instituo, aparelhada  os inventos e aperfeiçoamentos que o progresso for engedrando, fidelíssimo à elevada  inalidade da Fundação[…]” “Visto como tudo quanto possuo devo à Providência (…) e à  Gazeta, jornal que é o reflexo e o orgulho de toda a minha existência de labores, sempre a serviço de São Paulo, do Brasil, da justiça e das grandes ideologias, quero e disponho que todos os meus bens remanescentes sejam reunidos e aplicados como patrimônio da fundação que ora crio e instituo: a Fundação Cásper Líbero.”
(Trecho do testamento cerrado de Cásper Líbero, fonte: http://www.fcl.com.br/outras_paginas/historia4.php)  HIME, Gisely – “O EMPRESÁRIO QUE CRIOU A PRIMEIRA ESCOLA DE JORNALISMO” Imprensa Brasileira, Personagem que fizeram história, Vol1).

Cásper nasceu na cidade de Bragança Paulista, interior do estado de São Paulo. Filho do médico e fundador do Partido Republicano Paulista (PRP) da cidade, Dr. Honório Líbero, o jornalista, desde cedo, foi dono de uma personalidade inquieta e empreendedora.

Embora advogado, com formação na antiga Faculdade do Largo São Francisco, sua sensibilidade jornalística gritava muito mais alto. Aos 22 anos, fundou o jornal vespertino de grande circulação no Rio de Janeiro, o jornal “Última Hora”. Um ano após, em 1912, criou a Agência Americana, destaque em São Paulo por ter sido a primeira agência de notícia do estado.’

“Cásper Líbero compra A Gazeta em 1918, aos 29 anos. Após
sucessivos proprietários, aquele que fora um dos principais jornais de São Paulo estava à beira da falência: como se dizia à época,
era um verdadeiro abacaxi”. (Profa. Dra. GiselyValentim Vaz Coelho Hime).

Muito embora, A Gazeta se tornou a oportunidade de Cásper impor um processo de
modernização do vespertino. A primeira etapa de modernizar o jornal incluiu a  ubstituição do telégrafo pelo teletipo, a implantação da nova dinâmica no transporte e distribuição do jornal, possibilitando que os exemplares chegassem às mãos dos leitores em tempo recorde. E da importação de novas rotativas da Alemanha que já começam a riar a primeira edição impressa em tricomia e em rotogravura a cores no País.

Todo o esforço e investimento pareceu ter dado certo. Em 1939, é montada a sede do jornal d’A Gazerta, o Palácio da Imprensa. Que merece ênfase por ser a primeira construção com características para se construir um jornal. No prédio havia apropriações para impressão, distribuição, composição, gravura e redação.

“A Gazeta é um lar. A Gazeta não é somente minha e dos meus companheiros do mais alto ao mais humilde. A Gazeta é de São
Paulo. Dou independência moral, material e profissional aos  seus  redatores. A Gazeta é de todos.” Cásper Líbero.

A grandeza do espaço e a tomada de frente da Gazeta, foi se tornando inquestionavelmente forte. O que era um “abacaxi” como tinha sido intitulado no início, “Cásper foi descascando e soube saborear” (Silveira Peixoto).

A Gazeta precisava de jornalistas ou profissionais do jornalismo capacitados e preparados  para seu moderno modelo jornalístico, visto que possuía referência dos padrões mais modernos e mundiais, tendo em vista a função social do jornalismo.

Por tanto, a importante reflexão de Casper em idealizar um sistema de formação jornalística serviria também para a administração de seu empreendimento: A GAZETA.

 

 

“O ideário do pensamento jornalístico de Cásper Líbero, revelado nas páginas de A Gazeta,  é composto de seis princípios básicos,
profundamente relacionados entre si:
Progresso – a palavra-chave d’A Gazeta,
tanto no que se refere às instalações e maquinário, quanto às idéias
transmitidas, sintonizando-a com a vanguarda cultural;
Nacionalismo – traduzido no lema “Para
um Brasil cada vez maior e melhor”.  Enxerga
na cultura nacional os elementos necessários para impulsionar o progresso do
País, tornando-o uma Nação grande e respeitada perante o mundo;
Regionalismo – manifesto no imenso amor
por São Paulo, visto como a locomotiva do País na construção de uma Nação maior
e melhor;
Coletividade – responsabilidade do
jornalismo, uma vez que fator decisivo na formação da opinião pública. Este
deve canalizar os interesses da sociedade, orientando-os para o engrandecimento
da Nação em benefício da coletividade;
Juventude – simboliza a concretização
desse Brasil maior e melhor, desde que bem orientada. O segredo do progresso de
um país está na formação cultural de suas elites e a juventude encerra as
elites do futuro;
Jornalismo, enquanto função social
colaborador no fortalecimento do espírito cívico, que fundamenta os sentimentos
de nacionalismo, patriotismo e regionalismo, tornando possível o engajamento do
indivíduo no projeto de construção da Nação.”
(HIME, Gisely  – GT História do Jornalismo – II Encontro
Nacional da Rede Alfredo de Carvalho).

Muito mais do que um homem de brilhantes idéias, Casper foi alguém que também acreditou nestas idéias. Caso contrário, hoje, seu nome não perpetuaria como título de
uma das cinco principais e maiores Faculdades de Comunicação do Brasil, que
desde 1947 vem concretizando o tão sonhado sonho de ser “jornalista” dos jovens
e do “compromisso, cultural, político e social” almejado de seu criador.

E o que parecia o fim, apenas era um novo começo. Seu testamento foi o começo do grande projeto de sua Fundação, que criou profundas raízes no século XX e que o faz classifica-lo como um jornalista que fez história.

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