Jornalismo ou entretenimento?

Alguns programas com grande audiência podem passar por este questionamento. O CQC (Custe O Que Custar), exibido às segundas-feiras na TV Bandeirantes, “confunde” boa parte dos telespectadores, que se dividem entre dois gêneros: jornalismo e entretenimento.

O programa, que tem versões no Chile, Argentina, Espanha e Itália, chegou ao Brasil no início de 2008. Desde o começo, as pessoas gostaram, caracterizando-o como “jornalismo com bom humor”. O problema é que o CQC não é um produto jornalístico, e sim humorístico. O formato, as pautas, os trajes dos apresentadores, enfim, todo o programa se assemelha muito a um telejornal; porém, a cobertura do CQC prioriza o humor. Trata-se, portanto, de um programa humorístico, que se utiliza de “fórmulas” jornalísticas – entrevistas, reportagens, linguajar. Apesar de alguns integrantes serem formados em jornalismo, eles atuam como comediantes no programa.

Nas reportagens, a produção utiliza recursos digitais que “brincam” com os entrevistados, colocando chapéus, aplausos, narizes de palhaço, entre outros itens.

Outro programa que confunde o telespectador é o Globo Esporte. Exibido de segunda a sábado, às 12h45min, o GE sempre foi jornalístico. Desde 1978, o programa, inicialmente apresentado por Léo Batista, nunca mudou os padrões, mantendo-se fiel à cobertura esportiva. A partir de 2009, com o novo apresentador e editor-chefe, Tiago Leifert, o programa ganhou uma nova “cara”. Hoje, o programa é entretenimento, uma vez que as piadas e brincadeiras tornaram-se comuns.

As mudanças não foram rapidamente aceitas pela audiência do programa e as críticas iam do apresentador até o jeito de se fazer o programa. Antes os âncoras ficavam sentados em uma bancada como em qualquer outro jornal, agora o programa é feito em pé e o traje é mais informal.

O Globo Esporte continua informando os telespectadores, com reportagens e entrevistas. Mas o que transformou o até então produto jornalístico em entretenimento foi o humor. À partir do instante em que as brincadeiras tonaram-se freqüentes, o programa deixou de ser jornalístico.

No dia 1º de abril de 2011 (Dia da Mentira), o programa foi exibido de forma diferente, com o apresentador sentado e vestindo terno – o estilo de traje da maioria dos apresentadores de telejornal. Mesmo assim, percebeu-se o humor e a ironia na forma pela qual o âncora apresentava o programa, referente ao dia exibido e à brincadeira com o time Corinthians.

A atração “São Paulo Acontece”, exibida pela Band às 13h, de segunda à sexta, também pode ser citada para exemplificar o tema. O programa começou voltado para matérias com as quais o apresentador José Luiz Datena está acostumado: a cobertura de crimes pela policia, acidentes nas rodovias, etc. Porém, com a grande audiência obtida pelo “Jogo Aberto”, que o antecede e é apresentado por Renata Fan, o modelo editorial foi mudado, passando-se a usar reportagens veiculadas e comentaristas do programa anterior.

O entretenimento se tornou mais forte na atração do que o jornalismo, pois as matérias são cortadas ao meio, faz-se brincadeiras de todo o tipo e os jornalistas interrompem uns aos outros em qualquer momento. Quando o foco do programa deixa de ser informativo, o jornalismo acaba ficando de lado para dar lugar somente ao interesse de seus produtores: a audiência.

Grupo 4 – Matutino

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