Linguagem Jornalística na década de 20

A evolução do padrão de escrita da imprensa diária mostra sua base com raízes Greco-latinas de narrativa além da inquestionável influência americana. Através de pesquisas e análises sobre as características do texto jornalístico, percebemos que o estilo atual está praticamente sem alterações ou inovações desde o final dos anos 70, assim como entre os anos 20 e 50.

O estilo jornalístico já implantado nos Estados Unidos chegou ao Brasil através de telegramas de agências internacionais, influenciando o noticiário brasileiro. Caprino (2002, p. 5) relata que “até a década de 1920, a imprensa brasileira seguia o perfil do jornalismo europeu”, que tinha como principal característica a linguagem rebuscada, de difícil compreensão. Já no início dos anos 20, os redatores passam a demonstrar uma certa preocupação com o estilo e a linguagem utilizados no jornalismo, tentando torná-los mais acessíveis.

Gilberto Freyre[1], na volta de uma viagem aos EUA, demonstra a tendência de escrita americana no jornal A Província, do Recife, onde era diretor de redação. A Semana de Arte Moderna de 1922 teve grande influência na reforma editorial da imprensa brasileira, que buscava aproximar o texto literário da fala brasileira, eliminando palavras que já não eram utilizadas na oralidade, na linguagem mais informal.

O primeiro Manual de Redação Brasileiro surgiu em Pernambuco, já no final da década de 20, redigido por Gilberto Freyre trazendo a padronização que vigorava nos EUA desde o fim do século XIX.

A linguagem das décadas de 20 e 30 é caracterizada por muitos adjetivos em seus textos, como podemos perceber em trechos citados por CAPRINO: “Os acadêmicos da Faculdade de Direito de S. Paulo tiveram uma idéia francamente simpática” (30 de outubro de 1920), “Estúpida e covarde foi a cena ontem verificada próximo da igreja do Pari e que vamos narrar” (OESP, 2 de abril de 1930).

No início do século, os títulos se limitavam a simplesmente separar uma notícia da outra na coluna, diferenciados do texto em si somente por estarem em negrito e na caixa alta. O texto tem, principalmente, frases nominais. O jornal O Estado de S. Paulo muda sua estética em 1920, quando não coloca pequenas frases nominais, como se fazia até 1910, usando frases mais elaboradas e longas.

A Folha de S. Paulo, desde sua criação como Folha da Manhã, em 1925, sempre deu muito destaque aos títulos, deixando-os em negrito. No jornal, o subtítulo também merecia mais atenção, por estar em negrito, diferentemente dos outros periódicos.

Referências

CAPRINO, Mônica Pegurer; REIMÃO, Sandra (Orient.). Questão de estilo: o texto jornalístico e os manuais de redação. 2002. Dissertação (Doutorado em Comunicação) – Faculdade de Comunicação, Universidade Metodista de São Paulo. São Bernardo do Campo, p. 105-123, 2002. Disponível em: <www.revistas.univerciencia.org/index.php/cs_umesp/article/download/3664/3452>. Acesso em: 30 abril 2011.

GASPAR, Lúcia. Gilberto Freyre. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: 30 abril 2011.


[1] Gilberto de Mello Freyre (Recife, 1900 – 1987), foi um sociólogo, antropólogo, jornalista e escritor. Foi redator-chefe do jornal O Lábaro, dirigiu os jornais recifenses A Província e o Diário de Pernambuco, além de periódicos estrangeiros.

GRUPO 7 – MATUTINO

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