Entrevista com Camila Mattos

A produtora da Rádio ABC, Camila Mattos, de 24 anos, concedeu entrevista aos estudantes de jornalismo Felipe Faverani, Flávia Rakoza e Gabriele Moreno na tarde do dia 16 de maio.

Apresentadora do ABC Notícias, Camila contou as dificuldades de se produzir notícias para um público mais seleto e como as rádios AM têm chamado a atenção dos jovens.

Confira os principais trechos da entrevista abaixo:

Qual é a sua formação?

Camila Mattos: Me formei em Radio e TV em 2008. Fiz estágio de um ano e meio na Rádio ABC, e depois que eu me formei fui trabalhar em outras empresas. Voltei à Rádio ABC há um ano e meio.

Por que rádio?

Camila Mattos: Na verdade, quando escolhi estudar Rádio e TV, eu sempre quis trabalhar em TV. Jamais pensei em trabalhar em rádio. Quando estava no terceiro ano, nunca tinha feito estágio, nunca tinha trabalhado na área, e surgiu a oportunidade de trabalhar na Rádio ABC. Então eu decidi vir para a Rádio ABC pra ver como era. Me arrisquei.

Vim e descobri que rádio é muito gostoso e um mundo totalmente diferente do que a gente imagina. Quando meu pai colocava a rádio AM no carro, eu dizia a ele que era rádio de velho. Agora gosto de rádio AM e hoje eu me pego ouvindo rádio AM, porque eu sei o que é.

Qual é a principal vantagem para o jovem ouvir uma rádio AM hoje?

Camila Mattos: Hoje em dia, o rádio é um meio de notícia muito rápido. Por exemplo, o que aconteceu hoje, no impresso você só vai saber amanhã. Na TV em alguns casos também. Por exemplo, o Jornal Nacional vai passar todas as notícias do dia somente à noite. No rádio, se algo acontece, você já fica sabendo.

Um jornal, por mais que ele seja diário, ele precisa selecionar as notícias. Acho muito bom a gente ouvir a rádio AM, porque ela é uma rádio mais imediata. Sabemos tudo na hora em que as coisas estão acontecendo. E você vai estar sempre por dentro de tudo.

Qual é a maior dificuldade de fazer rádio?

Camila Mattos: A maior dificuldade é entrar na rádio e se manter nela. A rádio FM não tem produção praticamente. Você encontra o operador, técnico que é o locutor, então não tem produção.

Rádio AM é muito difícil de entrar, porque o número de vagas é restrito na AM. Tem muita gente antiga trabalhando ainda e não tem oportunidade pra gente nova entrar. É um problema que a gente enfrenta.

O mercado hoje, pra quem sai da faculdade, é maior em TV então?

Camila Mattos: Tanto pra rádio e pra TV é um mercado bem difícil. Tenho amigos que nunca fizeram estágios nem em rádio e TV. Não tenho amigo que fez estágio em rádio AM. Em rádio FM você vai trabalhar colando adesivos em carro e atender ouvinte. É muito difícil você sair da faculdade e conseguir emprego sem ter algum estágio antes. Vagas em rádio são muito difíceis, pois o mercado é bem difícil sem estágio no currículo, já que é uma coisa bem específica.

Como produtora de rádio, o que você faz aqui?

Camila Mattos: Eu apresento o ABC Notícias. Pego as notas mais importantes dos principais jornais e formo o que é chamado de redação. E vai tanto pro ABC Notícias, como para o Cidade aberta, e às vezes pro jornal da manhã que é o Cidade ABC.

Faço o boletim econômico, vejo o Dólar, o Euro e a Bovespa, em São Paulo. Também faço as informações do trânsito e as principais estradas da região.

Precisamos de entrevistas também. Pelo menos umas três entrevistas, sobre os assuntos do dia. Eu agendo e passo os dados para o repórter, depois é editada pelo técnico de gravação que me passa e eu vou catalogar. Tudo aqui na rádio é por código. Todas as músicas e vinhetas são todas por código. É só o técnico colocar o código que vai tocar na hora.

E eu monto uma pauta. São três vias da pauta. Uma para mim, uma para o locutor e outra para o técnico, com as informações mais importantes.Tempo de entrevista, quem foi o entrevistado, o cargo da pessoa, o que ela falou, quem fez a entrevista e a validade dela.

Você acha que a rádio é mais formadora de opinião que a TV?

Camila Mattos: Acho que sim. A rádio é a maior formadora de opinião. Por que o jornal na TV é uma coisa mais quadrada, e na rádio você consegue passar um pouco da sua opinião, expressar o seu ponto de vista.

Quantas pessoas trabalham para manter a rádio no ar todos os dias?

Camila Mattos: São dois jornalistas de manhã – um fica na parte da tarde e outro chega para trabalhar com ele; dois produtores – um de manhã e outro à tarde; um diretor de jornalismo e quatro técnicos de gravação.

No final de semana também não para, o técnico sempre vai estar aqui. Mas em fim de semana o pessoal de jornalismo não trabalha. Há muitos produtos independentes. Eles têm um contrato com a rádio por comprarem um horário.

Como funciona uma reunião de pauta?

Camila Mattos: A reunião de pauta é feita de manhã, e é nela onde acontece a divisão das principais notícias entre os jornalistas e o diretor de jornalismo. Tudo é dividido por horários e às vezes o repórter pega mais de uma pauta. Envolve todos os jornalistas da rádio.

Na criação de texto para o rádio, a simplicidade é necessária para uma melhor compreensão por parte do público. Vocês têm trabalho com isso?

Camila Mattos: Não fazemos perguntas técnicas para os entrevistados, mas uma entrevista voltada para o ouvinte, para que todos possam entender. Não quero saber dados técnicos, e sim fazer o ouvinte entender. Se você fizer entrevistas técnicas, acaba perdendo audiência. Como qualquer pessoa desligaria se não entendesse do que se trata o assunto. Então usamos uma linguagem muito básica, para aproximar o ouvinte, incluindo as matérias, para todo mundo entender, ouvir e saber do que estamos falando.

A tecnologia mudou muito o modo de fazer rádio AM?

Camila Mattos: Com a tecnologia, a rádio AM melhorou muito a qualidade do som, sintonização e a criação do site aumentou a audiência. Dá pra ouvir ao vivo! E em qualquer lugar do Brasil, pelo site, eu sei o que está acontecendo. Em qualquer lugar eu consigo sintonizar uma rádio AM hoje em dia com a tecnologia.

Qual é o público alvo da rádio?

Camila Mattos: É um publico mais velho. Pessoas de todas as idades escutam a rádio, mandam e-mail dando opiniões, fazem ligações. Mas os programas musicais da rádio é para um público mais velho.

Qual a importância do público jovem para a rádio AM?

Camila Mattos: O público jovem são os velhos de amanhã. É muito importante puxar a atenção do dele, para que no final ele também seja nosso ouvinte.

O que a rádio AM faz para chamar a atenção dos jovens?

Camila Mattos: Sempre tem coisa mais nova, notícias que chamam atenção, apresentadores mais novos, jornalistas mais novos. Usamos a linguagem de um pessoal mais novo, mais própria. Isso faz com que os jovens se aproximem mais.

Como é o retorno?

Camila Mattos: Há participação do público. Há participação do público pela internet, e como é um público mais velho, nos programas mais específicos há uma participação das pessoas que têm uma boa opinião formada.

Quando é o horário dos jornais, o telefone não para de tocar, as pessoas querem participar, falar como está o trânsito. É a única rádio oficial do ABC, então o público fica ligado.

A Rádio ABC transmite para todo ABC?

Camila Mattos: Funciona em todo ABC e em uma parte da Zona Leste de São Paulo.

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