Ricardo Fotios – Gerente de Conteúdo Portal Uol

 

Ricardo Fotios é jornalista e atual gerente geral de conteúdo do portal UOL. Foi repórter do Diário do Grande ABC (1994 a1996), editor-assistente da revista Contigo! (Editora Abril/1996), repórter colaborador da Folha de S.Paulo (1997 a2000), editor da Home Page UOL (1997 a2004) e de UOL Interação (2006). O também coordenador do portal – laboratório do Rudge Ramos Online, na Universidade Metodista, respondeu algumas perguntas por e-mail, sobre o a produção jornalística na web, explicando alguns conceitos da produção. Confira a entrevista:

 

Como é a seleção de fontes de informação para Web?

Fotios: Idêntica a de qualquer apuração jornalística. Busca-se as fontes mais relevantes nas áreas abordadas.

Qual o perfil de um jornalista que trabalha com a web?

Fotios: Curioso, novidadeiro, excelente redator e bom de lide.

Como é produzido e adaptado o conteúdo para a web?

Fotios: A produção segue os mesmos preceitos das mídias tradicionais, ou seja, pauta, apuração, redação e edição. A adaptação permite incluir material multimídia e interativo, como vídeos, áudios, infográficos animados, integração com redes sociais.

Quais os pontos positivos e negativos do web jornalismo?

Fotios: Tem um ponto que acho positivo e negativo ao mesmo tempo: não há hora de fechamento, não há pressão para a entrega em um horário do dia e isso é bom; por não haver deadline, fecha-se material o dia inteiro e isso às vezes é ruim.

Qual a principal diferença, entre os veículos digitais aos demais?

Fotios: A possibilidade de ter material multimídia e interativo integrado à reportagem é um diferencial, uma exclusividade da internet, por exemplo.

O jornalismo na web tem mais liberdade de conteúdo do que os demais veículos?

Fotios: Isso depende da linha editorial do veículoem questão. Alguns sites são bem soltinhos editorialmente enquanto outros são bastante enquadrados.

Qual é o papel das redes sociais no jornalismo digital? Estas podem ser usadas como fonte?

Fotios: Como fonte não, mas como referência para pautas sim. O que se diz nas redes é o que se está falando nos bares, nas baladas, no estádio, nas ruas. Não há dois mundos. Há muita riqueza de informação. Mas o trabalho do jornalista é exatamente apurar se o que ouviu dizer procede.

O Sr. poderia explicar o que significou o “estoura da bolha” de 1999?

Fotios: “Estouro da bolha” é uma expressão de economia. Chama-se de bolha a supervalorização de determinado serviço ou produto. O estouro é quando o valor começa a se equilibrar. Em 1999/2000, as empresas ponto.com estavam muito valorizadas porque eram poucas e a internet comercial era uma novidade. Quando mais empresas surgiram e o serviço passou a ser mais comum, houve uma natural baixa do valor destas empresas. A internet ficou mais profissional depois disso.

Empresas digitais incluindo redes sociais tendem a ser valorizadas, no caso do Facebook especula-se que poderá ser uma empresa de até um trilhão de dólares. É provável que no Mundo digital esteja se formando uma nova bolha da web 2.0? Qual a sua previsão sobre isso?

Fotios: É possível. Se a utilização do serviço do Facebook, por exemplo, for dividida entre outras redes em proporções semelhantes, sim, o valor do Facebook caíra. Na economia de mercado, o que dita o valor das coisas é a relação entre oferta e demanda, sempre. Internet não é exceção.

Qual a importância do Wikileaks para o jornalismo digital?

Fotios: A mesma importância que a divulgação dos e-mails teve para as demais mídias, um assunto, uma pauta. Nada de especial. Mais um caso de espionagem que vazou. Poderia ser qualquer coisa, mas, como era contra a maior potência do mundo, foi supervalorizado

Para blogs e sites como o “opera mundi”, “Luis Nassif” que são jornais apenas digitais e que existem jornalistas sérios e empenhados trabalhando neles. A web seria uma forma alternativa para o trabalho jornalístico? O conteúdo, a opinião editorial seria mais livre? Tem se mais liberdade editorial do que nas demais mídias?

Fotios: Como disse anteriormente, a redação “mais livre” depende do estilo, da política editorial da empresa ou do siteem questão. Mas sempre haverá um patrão, mesmo que seja o anunciante ou o investidor de um blog, por exemplo. A web é, sem dúvida, uma nova forma de trabalho para o jornalista. Pode ser alternativa ou não.

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