Parte 4

Assim como na Europa, diversos fatores pessoais, sociais e culturais do fotojornalismo permitiram mudanças nos jornais diários norte-americanos: o poder de atração e popularidade das fotografias; as práticas documentais, que mostraram como as fotos podem ser usadas para fins sociais através da imprensa; a compreensão da imagem como fator de legibilidade e acessibilidade aos textos; as mudanças notórias no design dos jornais; aumento de interesse dos fotógrafos; elevação definitiva do fotojornalismo à condição de subcampo da imprensa; introdução de tecnologias inovadoras como câmeras menores, teleobjetivas, filme rápido e o uso de telefotos.

A introdução da telefoto (sistema de transmissão de fotografias por meio de telégrafos) pela Associated Press tornou possível a utilização da fotografia como um meio eficaz de informação, apesar de ter disseminado a repetição de imagens nos jornais e revistas. Na América da depressão, nos anos 30, o presidente Franklin Delano Roosevelt, controlou o trabalho dos fotojornalistas através do programa do New Deal, que tinha como objetivo recuperar e reformar a economia norte-americana após a depressão. Com o desenvolvimento do Farm Security Administration (FSA), para lidar com reformas rurais, foi criado um departamento fotográfico que, aos poucos, tornou-se arma importante para despertar as consciências sociais. O projeto da FSA trazia um sentido crítico e denunciante às fotografias, por isso obteve grande repercussão e divulgação sendo considerado o primeiro indício do que viria a ser o documentarismo fotográfico.

Apesar disso, os materiais desse projeto não satisfizeram totalmente a idéia jornalística de “testemunho”, afinal tratava-se de um trabalho propagandístico e político, que pretendeu divulgar uma visão estereotipada e positiva do homem rural norte-americano. Na Europa e nos EUA, a nova percepção das potencialidades do fotojornalismo originou modificações no design da imprensa, nos processos produtivos fotojornalísticos e no aproveitamento das fotografias de modo geral.

De um jornalismo que, no século XIX, centrava-se no texto impresso, considerando as fotografias como item intruso, passou-se, nos anos 30, ao aproveitamento do seu conteúdo informativo e visual. Adquiriu-se a idéia de que plasticidade, arte e autoria deveriam conciliar com uma profunda ambição documental, que se poderia traduzir em qualidade. O fornecimento de fotografias da guerra para a imprensa norte-americana era feito pelo exército alemão, se não fosse censurada pelo governo. A Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) serviu para que a imprensa atentasse para o grande poder que as fotografias possuem: em algumas situações a informação visual torna-se mais impactante que a textual.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, foi a vez da Guerra Fria (1945 a 1991) permitir o surgimento de novas tendências: a fotografia de caráter humanista (testemunhal); fotografia de “livre expressão”, que permitiu um dinamismo libertador como a criação pessoal da realidade e da foto como pura criação; a fotografia como “verdade interior” do fotografo, testemunha dos seus gostos e inclinações. The Family of Man é a exposição de Edward Steiches, que celebrou a fotografia humanista universal. Foram mais de 500 fotos sobre a vida do homem, desde o seu nascimento até a morte. O objetivo era mostrar que somos todos iguais e que fazemos parte de uma única família.

Em 1956, foi criado o World Press Photo para mostrar a importância das fotografias e como conseqüência dos próprios fotojornalistas. As categorias premiadas foram: foto do ano, cotidiano, retrato, deporto, natureza, artes, ciências, instantâneas e reportagens. Com todos esses avanços, nada mais justo do que o fotógrafo ter propriedade sobre suas fotos, o que acontece em 1947. Além dessa propriedade, o profissional passa também a ter direito de assinatura da obra e controle de edição. Dessa forma, o fotógrafo afirma-se como um “mediador consciente”.

 

Continua (…)

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