Amilcar de Castro (noturno)

“O que caracteriza um artista é o olhar pra dentro de si mesmo. Toda experiência em arte é experimentar-se, é a experiência de si mesmo, é uma pesquisa em você mesmo. Você não pode fazer experiências com os outros. Este silêncio do olhar pra dentro à procura da origem das coisas é o grande problema da arte.Procurando a origem, você fica original e não querendo fazer uma coisa diferente. Por isso eu acho que criar está junto com viver, que arte e vida são a mesma coisa.”

Amilcar Augusto Pereira de Castro, nascido em Paraisópolis, Minas Gerais, em 6 de junho de 1920, foi desenhista, professor, escultor, artista plástico e diagramador brasileiro. Formado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de1941 a1945. Apartir de 1944, freqüentou o curso livre de desenho e pintura na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte.

Em 1952, mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou como diagramador em diversos jornais e revistas, entre elas A cigarra e O cruzeiro. Foi o responsável pela introdução da reforma gráfica do Jornal do Brasil em 1957, propondo um layout mais estruturado e elaborado graficamente.

O responsável pela “descoberta” de Amilcar de Castro foi Otto Lara Rezende, que estudou com ele na faculdade de direitoem Belo Horizonte.Ottoo levou para a Manchete, onde era diretor, e de lá Jânio de Freitas o levou para o Jornal do Brasil.

O processo de reformulação do jornal do Brasil teve o apoio do diretor Odylo Costa filho, que além de Amilcar, trouxe uma equipe de jovens jornalistas, que trabalhavam no Diário Carioca  e na Tribuna da Imprensa, anteriormente.

As únicas páginas de jornal com layout eram a primeira e a ultima da edição, porem com a entrada de Amilcar de castro no JB, a imprensa brasileira passou a ter mais jogos de espaço, volume, confronto entre o horizontal e o vertical; da assimetria com a simetria.

E a partir de então se criaram jornais com noções de harmonia, que eram capazes de ordenar a disposição do material, típicos de jornal-revista.

Isso fez com que o leitor se habituasse ao novo, bonito, apresentado logicamente e racionalmente disposto.

Criou um conceito de layout limpo, sem fios, vinhetas e maior aproveitamento do espaço em branco e possibilitando a combinação entre diagramas, mudança de fontes, e maior repaginação. Implementou a diagramação vertical e valorizou mais o contragrafismo.

Os antigos padrões começaram a ser substituídos por novos elementos, como subtítulos, entretítulos, boxes, textos complementares que embelezavam e movimentavam o texto e a vontade de ler do leitor.

Após 1958, Amilcar trabalhou no projeto gráfico para O Correio da manhã, Jornal da Tarde e a Província do Pará.

As figuras a seguir mostram a evolução gráfica proporcionada através de Amilcar de castro. A primeira figura é a primeira capa do jornal do Brasil de 1956, nos padrões antigos de formatação. A segunda imagem é a primeira capa do jornal do Brasil de 1959, após a reforma gráfica de Amilcar de Castro. A última página é do “jornal de resenhas”, da folha de São Paulo, onde Amilcar abusa da criatividade na diagramação da página.

Um jornal com sua composição pesada e apertada assemelha-se a uma mancha escura para o leitor, porém um jornal mais amplo, com maiores espaços e letras maiores produz uma imagem mais clara e mais limpa. 

Amilcar de Castro está entre os artistas neoconcretos responsáveis por realizar atividades relacionadas à indústria. E seu trabalho no Jornal do Brasil desafiou o utilitário, usando de grande autonomia expressiva. Ao iniciar na diagramação, Amilcar não tinha intenção de encontrar aplicação prática para sua produção artística, nem via na indústria uma complementação ao seu trabalho de artista. O ofício de diagramador era uma alternativa de sobrevivência diante de um mercado que ainda não era capaz de entender e absorver sua arte com regularidade.

Amilcar de Castro não foi um artista servindo a produção industrial, mas um funcionário da indústria que realizava seu trabalho como se fosse uma obra de arte, o diagramador que usou seu ofício como maneira de expressar-se, e descobrir-se, fazendo com que a indústria se adaptasse ao objeto artístico, a fim de manter viva a criatividade do homem, mesmo que imposta aos moldes mecânicos do mundo industrializado.

Jornal do Brasil nos anos 40 e 50

Jornal do Brasil após Amilcar de castro, nos anos 60

Jornal do Brasil nos anos 70 e 80

Referências bibliográficas:

DINES, Alberto. O Papel do jornal, 4° edição, summus editorial.

 MODA VESTUÁRIO. Histórico dos jornais brasileiros e a influência de Amilcar de Castro no design de página, disponível em

<http://www.modavestuario.com/180designdepagina.pdf&gt; Ultimo acesso em 26 de maio de 2011.

 PUC. O trabalho gráfico de Amilcar de Castro para o Jornal do

Brasil e as poéticas construtivas, disponível em <http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0410535_06_cap_02.pdf&gt;

Ultimo acesso em 26 de maio de 2011.

 

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